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Mitos da Saúde Oral na Grávida

by on Setembro 5, 2016
Posted in Blog

Há uns meses atrás, fui desafiada pela Dr.ª Cátia Albuquerque da Bebé Vida para fazer uma breve apresentação a um grupo de grávidas acerca de alguns cuidados a ter durante a gravidez.

Depois de muito refletir sobre a forma como havia de abordar um tema tão interessante e cheio de sombras à sua volta, eis que surge o título “Mitos da Saúde Oral na Grávida”. Dar-me-ia um enorme «gozo», estar à frente de um público especial a falar sobre uma temática daquela fase tão importante das suas vidas.

Afinal, será que o RX é seguro? E a anestesia? Os tratamentos das cáries são válidos durante a gravidez? Todos? Em qualquer fase?

Senhoras e senhores, peço-vos a vossa atenção:

RX: as radiografias podem ser feitas durante a gravidez, se estritamente necessárias e, sobretudo, no 2º trimestre de gravidez. De forma a proteger a futura mamã, devem ser utilizados aventais de chumbo no abdómen e pescoço.

Anestesia: podem ser dadas, se em pouca quantidade e apenas no local (anestesias infiltrativas). É preferível a grávida não ter dor do que provocar algum stress à própria que será transmitido ao bebé.

Destartarizações (limpezas): pode e deve ser feito, pelo menos trimestralmente! Aliás, a grávida tem um risco acrescido de partos pré-termo (antes do tempo estipulado) e de bebés com baixo peso, caso permaneça com bactérias agressivas na cavidade oral. De preferência, poucos dias antes do parto, havia de ser feito um polimento para manter ou melhorar o estado de saúde gengival. Raspagens de raízes não estão incluídas neste leque!

Tratamento de cáries: sim, preferencialmente no 2º trimestre de gravidez. Até à data, os estudos não comprovam a segurança de materiais provisórios nas grávidas, pela sua incapacidade de formar uma barreira consistente a microrganismos. Quanto às amálgamas (vulgarmente conhecidos como “chumbos”), não há consenso nos estudos sobre a sua utilização durante a gravidez e a possibilidade de transmissão ao bebé. Assim sendo, o melhor é “jogar pelo seguro” e não as ter como 1ª opção.

Desvitalizações: avaliar o custo para a grávida/bebé e o benefício. Se realmente for necessário, fazer preferencialmente no 2º trimestre de gravidez. É preferível fazer a desvitalização que implica anestesia local infiltrativa e produtos de irrigação canalar muitas vezes agressivos, do que prejudicar o bebé com a presença de microrganismos patogénicos que podem ser levados até ele.

Extrair sisos com ou sem dor: mais uma vez, avaliar o custo/benefício para a grávida e para o bebé. Se não houver dor, adiar para depois do parto. Se houver dor, é preferível extrair o dente do que tomar anti-inflamatórios ou antibióticos por um período de tempo, muitas vezes, indefinido, sendo tóxicos para o bebé.

Implantes: adiar para depois do parto. Não há pressa em colocar um implante, a não ser que seja num dente “da frente”, estético. No entanto, este teria que apresentar problemas prévios que, provavelmente, seriam inspecionados e orientados pela(o) médica(o) dentista antes da gestação.

Branqueamento: assim como nos implantes, adiar para depois do parto.

Mas, afinal, as grávidas ficam com os dentes mais fracos depois da gravidez?

Captura de ecrã 2016-09-05, às 00.46.34

Segundo 2 trabalhos elaborados pelos alunos na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, que eu supervisionei, a grávida apresenta um maior risco de gengivite (chamada gengivite gravídica), causada, sobretudo, pela parte hormonal e imunológica. Assim, a grávida deve ter mais atenção com a higiene das suas gengivas. Neste período, a tendência é deixar de escovar quando começa o sangramento gengival (primeiro sinal de inflamação gengival/gengivite). Ao reter mais bactérias nocivas dentro da cavidade oral, instalam-se as cáries que são desmineralizações dos dentes provocadas por um grupo agressivo de bactérias. No entanto, os dentes ou ossos não perdem fluór ou cálcio e, por consequência, não enfraquecem durante a gravidez!

Entende-se, assim, que a grávida deve visitar a(o) sua(seu) dentista preferencialmente antes de engravidar. Deste modo, terá tempo para fazer os tratamentos devidos previamente, sem penalização para o seu bebé. Deverá, durante a gestação, fazer consultas de rotina pelo menos de 3/3 meses, dependendo da situação de saúde oral. Idealmente, as consultas trimestrais servem apenas para destartarizações e polimentos com escova/borracha e pasta de polimento para atenuar o sangramento gengival por desintegração bacteriana, pois previamente à gestação, deveriam ter sido feitos os tratamentos mais demorados ou invasivos.

Use os seus cheques dentista para consultas trimestrais gratuitas nos médicos dentistas da rede! Poderá requeri-los na sua Unidade de Saúde Familiar, junto do seu Médico de Família. As consultas na(o) dentista devem ser, preferencialmente, matinais, pois nestas alturas a grávida está mais tranquila e com menos enjoos. E por falar em enjoos, atenção aos vómitos!

Captura de ecrã 2016-09-05, às 00.46.28

Criam superfícies de desgaste (erosão) principalmente na parte de trás dos dentes por excesso de acidez na cavidade oral. Deve-se passar a boca por água para remover alguma parte do ácido após o vómito, e de seguida, escovar os dentes para eliminar o restante e proporcionar uma sensação de hálito fresco.


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